terça-feira, 27 de setembro de 2016

DE VENTO E AREIA – Lembranças da minha infância na cidade de Lajes – RN. Teresa Neumann Christensen


Teresa Neumann Christensen

Na cidade de Lajes, onde eu nasci, as noites são sempre agradáveis, amenizadas pelo sopro constante dos ventos alísios. Ao por do sol, o calor perde a feição de fornalha e a sombra da tarde recobre a cidade com seu manto suave; é à hora em que chega uma brisa agradável e derrama sobre essa atmosfera incandescente, um sopro de bem-estar. É também a hora de por as cadeiras nas calçadas, bater um papo com os vizinhos, saber das novidades da política e por que não da vida alheia? 
Quando começava a escurecer o sino da igreja matriz tocava as seis badaladas. Era à hora do Ângelus ou da Ave Maria, todos se recolhiam e faziam uma oração. 

O céu ficava cada vez mais escuro e as primeiras estrelas iam surgindo, aqui uma, outra lá, e aos poucos apareciam milhões de estrelas. Sentávamos na calçada e ficávamos admirando a Via Láctea, as Três Marias, as Sete Estrelas e imaginávamos como aquilo podia ter sido feito. Ah, que mistério! 
Os mais velhos diziam que não devíamos apontar para as estrelas, pois apareciam verrugas nas pontas dos dedos,porque assim dizia a crença popular.Mais tarde, os jovens sentavam nos bancos da Pracinha, conversavam com os amigos e conhecidos, ficavam sabendo das novidades ou, caminhavam ouvindo música através do alto-falante da União Caixeiral Lajes o Clube da cidade, ou, os que gostavam, iam para lá dançar ou jogar ping-pong (tênis de mesa). Enfim, essa era a rotina da vida numa pequena cidade. Às nove horas, as crianças se recolhiam e uma rede amiga nos aguardava para uma boa noite de sono.

Ao relembrar a minha cidade natal, tendo apenas a memória como passaporte, é impossível não lembrar as serenatas, antigo costume herdado dos nossos colonizadores portugueses e que perdurou por muito, muito tempo. Na nossa rua, moravam algumas moças e geralmente, nas noites de lua cheia, apareciam os seresteiros. Era muito bonito ouvir o som do violão misturado ao som vento e a voz de algum apaixonado cantando: 
“Oh lua branca,
“De fulgores e de encanto...”

Às vezes, algum pai ou irmão ficava irritado e gritava: 
- Vão dormir bando de vagabundos... 
Ou então: 
- Vou jogar um penico cheio... Em vocês. 
Os apaixonados saiam correndo para se livrarem de tão mal-cheiroso líquido, acabando, assim, de forma melancólica o encanto da seresta e os suspiros das garotas. 

Era também um velho costume contar histórias de assombração. Não faltavam histórias de terror: eram histórias de lobisomem, de papa-figo, figuras horrendas que saiam à noite em busca de algum incauto para chupar-lhe o sangue; ou, ainda, sobre as assombrações que apareciam na serra do Feiticeiro, no serrote do Pai João. Eram as almas penadas dos escravos que lá foram castigados. A mais lúgubre, a que era realmente apavorante era a de um soldado da polícia que tinha sido decapitado num baile, e, inconformado, vagava pelas ruas em busca da cabeça! 
Assim, depois que o sol se punha ninguém tinha coragem de se aventurar sozinho por aqueles rincões. Que tal encontrar o soldado? 

Eram também famosas as histórias das botijas, (panelas cheias de dinheiro ou de moedas de ouro e prata) que muitos tinham encontrado. Diziam que tudo isso demandava de uma enorme encenação: A “alma do outro mundo” escolhia alguém a quem queria dar o seu tesouro enterrado para poder ter sossego na eternidade . Então, começava a assediar o vivente. Geralmente, a botija se encontrava no pé de uma árvore ou, num lugar especial, como um serro ou mesmo num quintal de uma casa. O aviso era dado através de sonhos. Porém, contam que quando a pessoa chegava ao local indicado aconteciam todo tipo de gemidos, ventos, gritos e etc. Se o escolhido tinha coragem, ficava e cavava até encontrar. Se não, voltava para casa em desabalada carreira, e nunca mais queria falar no assunto. Porém, ninguém conhecia nenhum sortudo, apenas, ouvia-se falar. Esse assunto era segredo. Não se comentava. 

Essas histórias eram sempre contadas à noite, pois tudo, à noite, é diferente. Assim, mergulhados numa consciência noturna, percebemos com maior rapidez cada estalido ou ruído. Qualquer coisa toma uma dimensão muito maior. É a noite que ficamos mais próximos de nós mesmos, de pensamentos que passam despercebidos durante o dia. Por essa razão, acreditamos que a noite é a mãe de todos os medos. 

Essas e muitas outras lembranças fazem parte da minha infância e estão guardadas num canto especial do meu coração

Nota de Cícero Lajes - Teresa Christensen é uma lajense que saiu de sua terra natal ainda adolescente e construiu uma carreira de sucesso em Santa Rosa RS. Professora universitária, com 16 livros publicados na linha da História Horal, exerceu cargos importantes na Educação do Rio Grande do Sul. Teresa é filha de Honório Antunes de Souza e Maria Procópio de Souza, e é irmã de Arilda Antunes, Edna Antunes, Francisco Hélio de Souza, Maria Pereira (irmã de criação), Jório e Antônio Procópio.

MEMÓRIAS DE LAJES: AS CAMPANHAS POLÍTICAS - TERESA CHRISTENSEN

Teresa Christensen

As eleições de 2016 estão se aproximando e então comecei a relembrar as eleições ocorridas na minha infância e adolescência. Eram muito diferentes das que hoje se realizam! Assim, é impossível esquecê-las.

Eram grandes festas “cívicas” com tiros, facadas, surras e todo tipo de tramóias para ganhar as eleições. As campanhas mais violentas eram as de Prefeito Municipal, pois os candidatos eram pessoas do lugar ligadas aos clãs locais. Passávamos o ano todo fazendo política e, à medida que a eleição ia se aproximando, o clima ficava cada vez mais tenso.As vezes nossos correligionários chegavam a nossa casa muito machucados, por que as brigas eram grandes. Uma noite, o cabra Chico Leandro, chegou com os olhos roxos de tanta pancada no rosto, e aí, alguém perguntou, compadre,que te botou estes “Ray ban”? Ele prontamente respondeu: foi o FDP do irmão do prefeito. Vou acabar com a raça dele. E por aí ia a coisa toda. Risos, piadas, humor e ameaças de morte...

Os Coronéis, herança da República Velha, apesar de terem perdido um pouco o seu prestigio e do seu poder, continuavam a manobrar o eleitorado, num vale-tudo de favores, compra de votos e de todo tipo de fraude. Mesmo com 15 anos da ditadura Vargas, sem ocorrer eleições, quando da redemocratização em 1945 e a volta dos Partidos Políticos, as coisas voltaram a ser como antes. A política partidária era o grande motivo da existência de muita gente. Não era por motivos ideológicos, mas, por todo tipo de interesses pessoais.

Os principais partidos eram a UDN – União Democrática Nacional , o PSD _ Partido Socialista Democrático e o PTB- Partido Trabalhista Brasileiro. Então, a disputa era muito grande. Grandes comícios aconteciam nas proximidades da data do pleito. As ruas ficavam inundadas de propagandas. Além disso, tinha a “Ala Moça” com uniformes e tudo mais, formada pelos jovens cabos eleitorais. Músicas, refrães, carros com alto-falantes passavam o dia inteiro rodando pela cidade. Os discursos e os ataques pessoais eram violentos.

Quando nossos chefes políticos vinham a Lajes, o banquete era sempre em nossa casa. Cheia de gente, depois do almoço começavam os discursos e as promessas que geralmente nunca eram cumpridas. Lembro-me do caso da construção da Maternidade. A obra começou, porém demorou tanto a ficar pronta que a população passou a chamá-la de “Eternidade”.
A campanha política era uma festa interminável. Não existiam ônibus, então as carreatas como são conhecidas hoje, eram feitas em cima da carroceria de caminhões, que saiam pelas ruas da cidade e para as localidades vizinhas, cheios de eleitores cantando e... Bebendo cachaça. Às vezes caia um ou outro lá de cima, mas, ficava tudo bem. Dizem que o Anjo da Guarda põe a mão debaixo de criança e de bêbado, por isso, não se machucam.

O dia da eleição, então, era muito emocionante. O movimento começava nas primeiras horas da madrugada com a busca dos nossos eleitores na zona rural. Estes, com suas melhores roupas, ao chegarem, ficavam em frente à nossa casa, e, quando abriam as seções eleitorais, já estava tudo organizado: um grupo de jovens se responsabilizava em encaminhá-los, considerando que a maioria (a grande maioria) era analfabeta, apenas assinavam o nome. Nesse meio tempo, era preciso cuidar para que os adversários não cooptassem nossos eleitores e trocassem a cédula eleitoral que já estava pronta. Esse era o momento de grandes enfrentamentos. Então, para evitar o pior, vinha a Força Federal ( um destacamento do Exército Nacional) e ficava de prontidão por toda a cidade, principalmente junto às seções eleitorais, onde aconteciam as brigas e também para dar segurança às urnas para que não fossem violadas.

Antes da apuração, a boataria era grande. Aconteceu isso, aconteceu aquilo! Lembro-me da eleição em que meu tio foi candidato a prefeito. A votação já estava encerrada e a casa cheia de gente, aí chegou um amigo e disse:

- Estão dizendo que o candidato adversário engoliu a chapa (dentadura postiça) ;

Então, alguém prontamente respondeu:

- Se engoliu, já botou, porque agorinha mesmo estava com ela...

Foi uma risada geral antecipando a vitória que seria confirmada às duas horas da madrugada. E dê-lhe festa e foguetões. Francisco de Oliveira Cabral, nosso tio, foi o prefeito durante 15 anos, no tempo do Estado Novo. Era um jovem de 21 anos. Posteriormente foi eleito pelo voto popular. Assim, rivalizando com o nosso prefeito Alcides Vicini, ele também foi prefeito durante 20 anos. 
Devo confessar que muitas das minhas lembranças se toldaram, e ao evocá-las, viraram pó como um cristal irremediavelmente quebrado. Porém, não me esqueço do sol queimando; a claridade das ruas; as pessoas correndo; as brigas; a disputa ferrenha pelo poder; a emoção da abertura das urnas, e depois, se Deus ajudasse , a vitória e a festa da posse.

Nota de Cícero Lajes - Teresa Christensen é uma lajense que saiu de sua terra natal ainda adolescente e construiu uma carreira de sucesso em Santa Rosa RS. Professora universitária, com 16 livros publicados na linha da História Horal, exerceu cargos importantes na Educação do Rio Grande do Sul. Teresa é filha de Honório Antunes de Souza e Maria Procópio de Souza, e é irmã de Arilda Antunes, Edna Antunes, Francisco Hélio de Souza, Maria Pereira (irmã de criação), Jório e Antônio Procópio.

NÍVEL DA BARRAGEM ARMANDO RIBEIRO GONÇALVES - 26/09/2016

Continuamos acompanhando o nível da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, e pedimos aos populares que economizem pois o volume da mesma será decrescente até a chegada do próximo inverno.

Data da Verificação       Capacidade  (m³)   Volume atual (m³)  Porcentagem  
26/09/2016                      2.400.000.000,00    442.773.733,00          18,45% do volume

Data da Verificação       Capacidade  (m³)   Volume atual (m³)  Porcentagem        
23/08/2016                     2.400.000.000,00      471.513.933,00          19,65% do volume

Data de verificação       Capacidade (m³)    Volume atual (m³)  Porcentagem                               
14/07/2016                    2.400.000.000,00      502.468.000,00        20,,94% do volume

Data de Verificação      Capacidade            Volume Atual           Porcentagem
 04/06/2016                   2.400.000.000,00      512.148.667,00        21,34% do Volume

Data de Verificação        Capacidade          Volume Atual           Porcentagem
  12/06/2016                    2.400.000.000,00     533.744.000,00       22,24% do volume

Data de Verificação      Capacidade            Volume Atual          Porcentagem
 08/06/2016                    2.400.000.000,00      537.467.333,00        22,39% do Volume

Data de Verificação      Capacidade            Volume Atual           Porcentagem
 11/04/2016                   2.400.000.000,00       557.573.333,00       23,23% do Volume

Fonte do volume: SEMARH

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

ESTUDANTES DE TURISMO DA UERN, NO CABUGI - 25/09/2016

Nesse domingo, 25/09/2016, um grupo de estudantes do curso de Turismo da UERN Natal, estiveram no Pico do Cabugi colhendo dados para projeto de pesquisa a respeito da potencialidade turística do mesmo. Eram ao todo 7 estudantes, guiados pelo guia local Cícero.

Aviso - eu (Cícero), estou fazendo a trilha apenas até à metade devido o risco das rochas rolarem, por subirem muitas pessoas sem guias acabam por alterarem significativamente o trajeto das rochas; outro motivo é pela preservação do próprio formato do Pico. Mesmo assim a caminhada dar para suar a camisa, gastar bastante calorias e contemplar uma bela vista.

sábado, 24 de setembro de 2016

AMIGOS DA POLÍCIA CIVIL NA SERRA DO FEITICEIRO - 24/09/2016

 Neste sábado 24, tivemos trilha na Serra do Feiticeiro com um grupo de amigos da Polícia Civil do RN,  vindos de Natal. A aventura já começou na estrada com o carro do amigo Eli, que o deixou no prego em Caiçara, mesmo assim eles vieram para fazer a trilha. Quando faltavam 500 metros para chegar na serra, o peso em um dos carros obrigou o povo descer e metade da turma ir a pé, num piquezinho para aquecer. Depois de passarmos na Capela da Divina Santa Cruz e Pedra do Anjo, a turma perguntou se a trilha continuaria, em princípio não, mas com a vontade da turma em andar, seguimos até o topo dos paredões da serra a 500 metros de altitude. Turma show essa, na volta só o sol que castigou um pouco, mas nordestino e sol já vivem num casamento amigável desde que denominaram essa parte geográfica do Brasil, de Nordeste Valeu galera, até breve!

Estiveram na trilha os Trilheiros da Caatinga: Jéferson e Cícero.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

RAÍSSA BEATRIZ - MISS LAJES - NA PASSARELA DA EXPOLAJES 2016


EE PEDRO II ENTREGOU PREMIAÇÃO AOS PROJETOS VENCEDORES DA 3ª FECIPE

 Na noite desta quinta, 22/09/2016, a Escola Estadual Pedro II fez a entrega da premiação aos projetos vencedores da 3ª FECIPE (Feira de Ciências do Pedro II). Os projetos receberam uma quantia em dinheiro como premiação doada pela empresa Natural Energia, do ramo eólico que está se instalando no município. Ao todo foram escolhidos três projetos julgados por universitários na FECIPE 2016, um doo turno matutino, um do vespertino e um do noturno.

Projetos Vencedores:

*Uso da hidroponia com água dos ar condicionados na escola.

*Lajes, o sol é uma fonte de energia.

*Carvoarias degradam pessoas e o meio ambiente em nossa cidade e no país.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

EE PEDRO II REALIZOU DEBATE PARA ESCOLHA DO PREFEITO(A) DE LAJES


Como estava programado, a Escola Estadual Pedro II realizou o evento que faria um debate entre os candidatos a prefeito de Lajes, dos 4 convidados só compareceu a candidata Dra Lourdinha (PSD), mesmo assim o evento teve prosseguimento. O evento fez parte do Projeto Setembro Cidadão e seguiu uma linha ética e de responsabilidade para com os candidatos e o público. Quem não esteve no Auditório da Casa de Cultura, pode assistir em frente ao prédio através de um telão, ou ainda pela internet através do Blog Cícero Lajes  

No primeiro bloco a candidata foi sorteada a responder as perguntas do eixo 3, nas áreas de , Educação, Saúde, Segurança Saneamento Básico e, Políticas para a Juventude. 

 Perguntas pré selecionadas e sorteadas.

*Lajes é um dos poucos municípios, de pequeno porte, que possui uma previdência própria. Como sua gestão pretende gerenciar o recurso da PREVILAJES, da educação, de modo que o recurso será usado exclusivamente para o pagamento dos servidores?

*O Hospital Maternidade Aluízio Alves é uma entidade filantrópica, que se mantem com os atendimentos realizados e pagos pelo SUS e com doações feitas pela comunidade, na sua gestão o hospital vai ser beneficiado de que maneira? 

*A violência contra a mulher é uma constante em todo Brasil e Lajes não está fora desse cenário. Aqui existem algumas situações críticas sobre este problema, por exemplo: quando uma vítima procura a delegacia para prestar queixa, nem sempre ela é atendida, pois o escrivão que digita a queixa não atua no Município em forma de plantão; o acompanhamento social também é precário. Na sua gestão, como você pretende minimizar esta situação?

*Os municípios receberam uma recomendação do Governo Federal, para que os lixões a céu aberto, fossem extintos até 2018. No seu mandato como será a gestão dos resíduos sólidos, ou seja, do lixo produzido pela população?

*O esporte de nossa cidade concentra sua atuação principalmente nas práticas de futsal. Na sua administração como você pretende fazer a ampliação da oferta para outras modalidades esportivas e se haverá algum incentivo aos portadores de necessidade especiais?

No segundo bloco os candidatos fariam perguntas entre si, com o comparecimento apenas de Dra Lourdinha, a oportunidade foi facultada ao público no auditório. As perguntas foram em tornp geração de emprego e renda, ajuda ao homem do campo, avaliação da educação atual e propostas para a mesma, apoio a outros grupos de cultura e esporte em Lajes, o que fazer com os prédios públicos que estão fechados, relação com obras paradas ou atrasadas.
Realização - EE Pedro Segundo
Grêmio Estudantil Professora Gorete Tadeu

Parceiros - Casa de Cultura Popular, Digicontrol / H Net, Cícero Lajes, Washington Fernandes, Júnior Martins, Leal Sonorização, Abimael, Neto Bizinho, Dudu Propagandas, Pedro Henrique, Nevolândia Laureano...